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terça-feira, 18 de outubro de 2011

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05 de outubro, Colégio Andrews, 19h/22h.
Thaís, Andrêas, Laura e Diogo

ensaio apenas com corley e moira.

assim como nos anteriores, entreguei um capítulo do livro O PENSAMENTO SELVAGEM, do Claude Lévi-Strauss, sobre bricolagem. discutimos sobre o título do espetáculo: sinfonia sonho. também conversamos sobre calendário, datas, prazos. informei a nossa data de estreia e marquei datas na agenda quando realizaria a entrega das cenas do texto (em três momentos).

sugeri uma improvisação dificílima. queria que eles criassem a situação imediatamente anterior a primeira cena do espetáculo. ou seja, eles deveriam estar presentes segundos após o filho ter sido levado por um balão. semanas depois eu descobriria se tratar de balões de gás hélio e não de um balão conforme acreditávamos. me preocupou bastante pedir essa improvisação porque desde o início ela me sugeria encrenca. como dar conta disso? os meninos deram.

laura abriu a porta e gritava com andrêas vai buscar nosso filho, batendo nele e ele completamente parado, sem saber como dar conta daquela exigência. a improvisação teve cerca de quarenta minutos, nos quais pouco foi dito, mas muito foi dito sem palavra, escorrendo pelos olhares e gestos. precisão versus imprecisão, um desespero lento consumindo os dois. batidas de cabeça de corley contra a parede. moira parada durante minutos a espera de um ruído para esbravejar seu horror. foi intenso. foi sério. ali descobrimos muito sobre os dois.

descobrimos essa agilidade de moira capaz de descongelar só com o olhar um iceberg inteiro. descobrimos como corley para além do afeto e amor sabe também ser violento e impositor. ficamos nesse entre onde a dor de perder um filho justifica ações que não se justificam. o tempo passa de fato em pouco tempo. o filho voou e não deu tempo de retroceder. não deu tempo de segurá-lo. ele se foi. era final de noite, ele partiu e acabou. muito silêncio. muita pausa. muita coisa, ao mesmo tempo, NADA.

excelente ponto de partida, que os meninos estão desbravando mais a cada ensaio.

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