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terça-feira, 18 de outubro de 2011

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27 de setembro, Colégio Andrews, 19h/22h.
Thaís, Marcio, Adassa, Diogo e Janaína Dórea

ensaio apenas com célia e kevin.

entreguei um capítulo do livro O PENSAMENTO SELVAGEM, do Claude Lévi-Strauss, no qual há um bom apanhado sobre bricolagem. conversamos sobre isso e sobre o sistema nervoso dessas crianças. psicofísico ao invés de mimesis. presença e experiência ao invés de reprodução. sinto os meninos meio perdidos e duvidosos. sei que eles fazem bem a coisa de representar as crianças. mas não é isso. não é.

sugiro uma improvisação. uma conversa entre célia e kevin sobre o fim das aulas, sobre a suspeita de que a família vai se mudar para outra cidade. um chateamento entre os irmãos que se equaliza e troca. eles parecem ser um corpo só e diferente. busquei orientá-los no sentido de uma voz mais neutra, sem afetações visando representar crianças.

discutimos sobre o título do espetáculo: peça de formatura ou sinfonia sonho? ganhou o que temos até agora. neste ensaio, a aluna-jornalista da ufrj, janaína dórea, esteve presente para ver nosso ensaio. ele deveria entregar em alguns dias um texto chamado impressões, buscando informar ao leitor da revista da XI Mostra de Teatro da UFRJ o que ele iria assistir. coitada, não tinha muito a ser visto exceto especulações e tentativas.

conversamos sobre calendário, datas, prazos. informei a nossa data de estreia e marquei datas na agenda quando realizaria a entrega das cenas do texto (em três momentos).

na improvisação, os meninos trouxeram as mochilas e o diálogo entre eles é fluido e interessante. descobrimos que célia está em relação constante com o mundo e suas coisas, ao passo que kevin faz o mesmo porém de maneira mais concentrada. enquanto ela toca em tudo, kevin repete o toque no zíper do próprio casaco. mas ambos, com predisposição (genética?) ao impossível.

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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

EXPRESSÃO

hoje passei o domingo por conta de nossa peça. escrevi várias cenas e também o texto que cada aluno-diretor escreve para a revista da mostra de teatro da ufrj.

esse projeto de fato ainda está começando. com a nossa estreia em novembro – estreia dentro da ufrj – percebo o quanto muito ficará por ser descoberto, descortinado. precisamos de algum tempo depois de tantos ensaios.

muito a pensar. eu saindo de um processo super intenso de criação dramatúrgica. como cavalgar um dragão demorou muitos meses para ser escrito. só neste domingo escrevi três cenas de sinfonia sonho. não escrevo isso para fazermos comparações. são espetáculos muito distintos. o que eu estou me exigindo é conseguir escrever o melhor para cada ator. escrever com clareza e potência essa trajetória que cada um haverá de percorrer.

é uma história triste esta que vamos contar. não é tranquila, nem sadia, nem para corações fracos. é a passionalidade inúmeros graus acima. aliás, hoje a janaina dorea (aluna-jornalista da escola de comunicação da ufrj, responsável por escrever suas “impressões” sobre nosso espetáculo) me enviou algumas perguntas por e-mail. lanço abaixo as respostas que dei. elas talvez nos ajudem a chegar mais perto de alguma coisa que por enquanto ainda recebe o nome de mistério:

1- De uma forma geral, que mensagem que você deseja passar com esta peça?

NÃO SOU MUITO FÃ DE PASSAR MENSAGENS. NÃO TENHO ESSA OBRIGAÇÃO ENQUANTO DIRETOR TEATRAL. CREIO QUE "SINFONIA SONHO" APRESENTE UMA SITUAÇÃO MULTIFACETADA, ALGUNS ESTADOS E SENSAÇÕES MUITO CONCENTRADAS, COM UMA SATURAÇÃO MUITO ACENTUADA. CREIO QUE O ESPETÁCULO, AINDA EM CONSTRUÇÃO, VENHA A TOCAR NOS EXTREMOS. TALVEZ, OLHANDO POR ESTE PONTO DE VISTA, A PEÇA TEMATIZE ALGUNS LUGARES EXTREMOS COMO A VIOLÊNCIA A CRIANÇA, LUGARES EXTREMOS COMO SÃO OS PRÓPRIOS EXTREMOS. É MUITO DIFÍCIL APOSTAR NO QUE ESTAMOS DIZENDO COM UM ESPETÁCULO. É UM ORGANISMO SENSÍVEL. CADA ESPECTADOR LÊ O MESMO DE UMA FORMA. NÃO QUERO DIZER QUE HÁ ALGUMA COISA A SER LIDA. QUERO SABER O QUE FOI QUE VOCÊ LEU AO ASSISTIR O ESPETÁCULO.

2 - Que tipo de impacto você deseja causar nos espectadores (se é que você tem esse desejo)?

TALVEZ EU TENHA SIM ALGUM DESEJO EM CAUSAR IMPACTO AO ESPECTADOR. NÃO QUE EU SAIBA ME JUSTIFICAR POR ISSO, MAS EU CREIO QUE A EXPERIÊNCIA TEATRAL SEJA UM TIRO DIRECIONADO A MIM MESMO E A QUEM ASSISTE A ENCENAÇÃO. NÃO É ALGO TRANQUILO, NÃO É ALGO QUE - EU CREIO - POSSA SAIR DE MIM COM TRANQUILIDADE E AGILIDADE. GOSTO DE PENSAR QUE É UM TIRO PORQUE ATRAVESSA E DEIXA MARCAS. TALVEZ EU QUEIRA QUE O ESPECTADOR POSSA SE PERGUNTAR AQUILO QUE SUAS RESPOSTAS JÁ TENHAM SILENCIADO. ADORARIA QUE O ESPETÁCULO PUDESSE TRAZER A TONA O QUE JÁ FOI RESOLVIDO, JUSTAMENTE POR INTUIR QUE CERTOS LUGARES COMUNS E RESOLVIDOS NÃO RESOLVERAM NADA, APENAS SILENCIARAM SUA COMPLEXIDADE. É MUITO AMBICIOSO FALAR SOBRE O QUE GOSTARIA DE CAUSAR, SOBRE IMPACTOS E AFINS. MAS, SE EU CONSEGUIR JUNTO AOS ATORES E A EQUIPE MANTER VOCÊ PRESO NO CORRER DOS MINUTOS QUE COMPÕEM NOSSA PEÇA: ENTÃO, ESTAREI MAIS PERTO DE ALGUMA COISA.

3 - As personagens da peça e os dramas que elas vivem se assemelham com o de pessoas comuns, com as quais convivemos diariamente?

NÃO. ESTAS PERSONAGENS VIVEM DRAMAS QUE, EU PODERIA DIZER, EXTRAPOLAM ALGUMA MEDIDA MAIS PLAUSÍVEL. NÃO QUER DIZER QUE AQUILO QUE ELAS VIVEM NÃO FAZ SENTIDO, É FALSO. NÃO É ISSO. QUER DIZER APENAS QUE O SEU SENTIR VEM NUMA MEDIDA QUE NOS SOA, PARA NÓS ESPECTADORES, ALGO MAIOR, ALÉM, OVER, FORA DA MEDIDA. ESSA É UMA CARACTERÍSTICA QUE APOSTO TAMBÉM COMO DRAMATURGO. ACREDITO QUE ESSA INTENSIFICAÇÃO NOS DISTANCIA DE ALGUMA FORMA DE TAIS PERSONAGENS. ISSO AS COLOCA NOUTRO LUGAR QUE NÃO O NOSSO. E O NOSSO ENCONTRO - DOS ESPECTADORES - COM TAIS PERSONAGENS VIRÁ POR CONTA DAQUILO QUE SENTIMOS. PODEMOS SENTIR TERROR E PIEDADE DE TAIS PERSONAGENS. POR ISSO SEUS DRAMAS PARECEM TÃO MAIORES. NO FINAL DAS CONTAS, ESTOU FALANDO DE DRAMAS MUITO HUMANOS, ELEVADOS, PORÉM, A UMA POTÊNCIA DESCONHECIDA, ARTIFICIAL, INVENTADA.

4 - Como se deu a escolhas dos atores? Já os conhecia de outros trabalhos?

DOIS ATORES (ADASSA MARTINS E DAN MARINS) FAZEM PARTE DO TEATRO INOMINÁVEL. COMPANHIA CRIADA DENTRO DA UFRJ, COM O PRIMEIRO ESPETÁCULO CURRICULAR QUE DIRIGI AQUI DENTRO. OS OUTROS SÃO CONVIDADOS. AMIGOS DE LONGA DATA QUE SEMPRE TIVE INTERESSE EM DIRIGIR. ELES VIERAM ANTES DA PEÇA, CABE PONTUAR. CONVIDEI OS ATORES. E ENTÃO, MEIO QUE JUNTOS, NUM JOGO DE TROCA E AFETAÇÃO, FOMOS DESCOBRINDO A HISTÓRIA QUE GOSTARÍAMOS DE CONTAR.

5 - Qual foi a importância da opinião dos atores para a criação do texto final?

O NOSSO PROJETO COMEÇOU COM UM CAPÍTULO DE UM TRATADO FILOSÓFICO. O LIVRO "O ANTI-ÉDIPO" DE GILLES DELEUZE E FÉLIX GUATARRI FOI O NOSSO PONTO DE PARTIDA. DURANTE O PRIMEIRO SEMESTRE DO ANO, FIZEMOS ENCONTROS PERIÓDICOS PARA DISCUTIR ALGUNS CONCEITOS E ESTREITARMOS ALGUMAS APOSTAS, IDEIAS, INTUIÇÕES. AOS POUCOS, FUI CONVERTENDO NOSSAS CONVERSAS EM PERSONAGENS, DRAMAS, SITUAÇÕES, CONFLITOS... NÃO POSSO DIZER QUE A PEÇA QUE APRESENTAMOS NESSA MOSTRA TENHA SIDO UMA CRIAÇÃO COLABORATIVA PORQUE NÃO TIVEMOS TEMPO PARA ISSO. NO ENTANTO, FOI ESCRITA PARA ESSES ATORES E ATRIZES. FOI FEITA POR CONTA DE TUDO O QUE CONVERSAMOS E TROCAMOS DURANTE ESTE ANO. É DELES, ENFIM.

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terça-feira, 12 de outubro de 2010

para fundar uma linguagem

continuo postergando algumas referências. tenho gostado de ficar bailando sobre o não-saber, sobre achismos, sobre especulações e verdades movediças. sim, pensando no que pode ser sem nem mesmo ter ponto de partida. pensando apenas, como quem sonha. eis que um dia, veremos, o sonho se fará encenação. é mais ou menos isso no final das contas.

engraçado. o fato de ter criado este blog já me faz entrar num movimento frenético de pensação sobre a peça. não é bem engraçado, mas é. enfim, eu hoje fiquei pensando: que dramaturgia será essa? hoje arrumando a prateleira de livros (fui juntando as poéticas, as coisas gregas, os eurípedes, sófocles, aristóteles, alguns platões aristófanes e por ai segue) eu me peguei pensando: com que palavras dizer tudo isso? com que palavras?

fundar uma linguagem. não quer dizer coisa inédita, não quer dizer nada grave. mas é um jogo que se desenha ali, estando já em jogo. não há nada prévio que assegure a diversão; caminho tortuoso. eu disse um pouco antes aquela coisa de começar do zero. veja bem, não é para tanto. há muito que se acumula aqui em mim. muito. passei por dois processos de direção na ufrj, onde sou aluno. e apesar de achar que sempre é um começar do zero, chego mais forte, mas não percebo isso, porque abuso da força e ouso ser ainda mais, ouse ser ainda mais grande.

sim. a linguagem vai falhando...
com que necessidade se faz uma nova linguagem? creio que isso venha por não se saber dizer. fundar uma linguagem não para se fazer compreender, mas para ver de outra forma aquilo que ali já se manifesta. daquele jeito. esquisito daquele jeito. tem a ver com mais ouvir do que falar. tem a ver com perceber e não escrever. ler e não gravar. com que necessidade se faz linguagem? sempre que se respira, por si próprio.
...quando nos dispomos a averiguar sua validade. nada dura tanto. nem a escrita, nem a cena. tudo convulsiona e começar do zero é desde já necessário. contradigo-me. paciência. assim vai ser. por onde começar? por aqui mesmo. por aqui. really.

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Diogo Liberano