\\ PESQUISE NO BLOG

Mostrando postagens com marcador harvey. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador harvey. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de junho de 2011

a concepção de utopia

A principal razão pela qual vem a ser tão difícil localizar a utopia num futuro ligado de maneira crível ao presente por meio de uma transformação viável reside no fato de nossas imagens do presente não identificarem agente nem processos de mudança. O resultado é que a utopia entra ainda mais nos domínios da fantasia. Embora isso tenha a vantagem de libertar a imaginação da restrição daquilo que se pode imaginar como possível - e de estimular a utopia a exigir o impossível -, apresenta a desvantagem de separar a utopia do processo de mudança social, bem como de separar a mudança social do estímulo de imagens concorrente da utopia.

trecho de LEVITAS, R., 1990. The Concept of Utopia. London, citado em HARVEY, D. Espaços de Esperança. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. 4ª ed. São Paulo: Loyola, 2011. P. 250.

significante sem referente

O que o abandono de todo discurso da Utopia no campo da esquerda tem provocado é deixar em suspenso a questão da autoridade válida e legítima (ou, mais exatamente, deixá-la nas garras dos moralismos dos conservadores - tanto na variedade neoliberal como da religiosa). Essa renúncia deixou o conceito de Utopia, na observação de Marin, como um puro significante sem referente que faça sentido no mundo material. E para muitos teóricos contemporâneos - incluindo Unger - é nessa condição que o conceito pode e deve permanecer: como puro significante de esperança destinado a jamais adquirir referente material. O problema é no entanto o de que, sem uma visão de Utopia, não há como definir para que porto poderíamos querer rumar.

HARVEY, D. Espaços de Esperança. Tradução de Adail Ubirajara Sobral e Maria Stela Gonçalves. 4ª ed. São Paulo: Loyola, 2011. P. 248.