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segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Kevin- Composição 3: Preciso Virar Música?!

Kevin entra no quarto: "Esse aqui, esse aqui é meu quarto. Essa é a porta do meu quarto. Ela serve pra barrar o vento..." (olha pra plateia como quem conta um segredo, com prazer) "e o tempo. Esse aqui é o chão do meu quarto que é completamente diferente do chão da sala que é completamente diferente do chão da cozinha e do banheiro". Cada coisa que apresenta à plateia é apontada com as 2 mãos ou, se não é possível, com a cabeça. A intenção é se certificar de que vive no concreto, no mundo material, como quem está com medo de ficar louco. Quer se agarrar ao conhecido. "Quando venho do chão da sala e entro no chão do meu quarto, eu fico completamente confuso. O chão do meu quarto é limpo. O chão da mesa do computador é mais sujo e o da cama é mais limpo". Olha para o chão da cama, volta à plateia e completa: "É sujo, mas é limpo porque é sagrado". Vai pra cama e reza (pra dormir tranquilamente, sem deixar sua mente tomar conta), se deita com olhos arregalados, com medo. Se levanta e vai brincar de esconde-esconde: "5, 4, 3, 2, 1, já vou!... Mãe, eu preciso virar música?!", pergunta com medo e indignação. Destampa os olhos, mas não enxerga mais nada. Tateia seu quarto, como se já não o conhecesse mais, vai descobrindo o quarto com as mãos e alcança a janela. "Essa é a janela do meu quarto". Olha através dela, sem ver, depois diz à plateia: "Eu não vou pular, não! Mas também não tenho medo, não. Não tenho medo dos olhos fechados, não tenho medo do quarto vazio, não tenho medo da altura da janela, não tenho medo do menino que vejo lá fora (Thomas?) e que me pede: toca um piano pra mim? Não tenho medo da chuva lá fora". Olha para o peito, enxergando novamente, e diz para a plateia, lentamente e destemido: "O medo que me apavora tá aqui dentro". Volta a olhar pela janela.

Um comentário:

Laura disse...

Necessidade de Kevin de organizar o espaço em que vive. Cada coisa deve estar em seu devido lugar. Dando valor a materialidade e concretude das coisas.
Forte a imagem do Kevin na janela. Sua relação com o mundo exterior. O universo tão amplo e misterioso em contraponto ao seu quarto, espaço conhecido e tão organizado.
Kevin e seus medos. O maior deles é a sua imaginação.